01.05.2020

#EstamosJunt@s: Sindicatos Juntos na Luta Pelo Bem-Estar Social, Paz e Progresso

Alexandre Munguambe, Secretário Geral da OTM-CS, fala sobre os impactos da crise nos trabalhadores e sobre o dia do trabalhador em estado de emergência.

 

As últimas quatro semanas de estado de emergência limitaram a vida pública e económica em Moçambique para o bem maior da saúde pública. Do ponto de vista da prevenção da propagação do corona vírus era uma necessidade. Do ponto de vista da economia local, foi um enorme desafio ... eo estado de emergência acaba de ser prolongado por mais 30 dias.  

A OTM é a maior Central Sindical do país e acompanhou o desenvolvimento da crise do corona vírus em Moçambique com preocupação. Quais são os impactos que podem observar e quais os desafios para os trabalhadores Moçambicanos?

O mundo em que vivemos atravessa desde o início do ano momentos difíceis e bastante complicados devido à Pandemia do CORONA VIRUS. Sem dúvida nenhuma, a Pandemia gerou uma crise económica sem precedentes num curto espaço de tempo e os seus impactos de longo prazo vão depender de quão rapidamente este vírus vai ser vencido. A saúde dos trabalhadores está em risco e a retracção das economias coloca empregos e direitos conquistados em questão.

No mundo do trabalho as consequências são e serão extremamente negativas. Mais de 350 empresas remeteram carta ao Ministério do Trabalho e Segurança Social para suspenderem as suas actividades, sendo que destas 252 suspenderam os contractos de trabalho com os seus funcionários. Ficam assim cerca de 10,000 empregos em risco, e se consideramos o número de familiares que dependem muitas vezes exclusivamente deste um emprego, o número aumenta exponencialmente. E este número reflecte apenas a realidade dos trabalhadores registados no sector formal.

Outras empresas trabalham em regime de rotatividade e operam a uma capacidade laboral e productiva bastante reduida, o que vai ter impactos negativos no crescimento da economia e na estabilidade dos lugares de trabalho.

Devido aos baixos salários praticados em Moçambique, o poder de compra do trabalhador é bastante fraco e muitos trabalhadores para além do emprego formal têm uma actividade informal para aumentar a sua renda. Com as actuais restrições este suporte informal não acontece, o que coloca grande parte dos trabalhadores e as suas famílias numa situação difícil, quer os que tem a sorte de manter o seu emprego bem como aqueles que foram despedidos e consideram o comércio informal como a para a sua sobrevivência.

Qual é a posição dos sindicatos perante este cenário?

Do ponto de vista da OTM-CS, para além das medidas já aprovadas pelo Governo, deveria-se adoptar um normativo que proteja ao trabalhador em tempo de crise. Porque não pode ser o trabalhador que tem que pagar essa factura. Achamos que o Estado e as empresas deveriam estabelecer uma espécie de fundo de emergência que suporta cenários similares. Todos os esforços devem ser desempenhados para manter os postos de trabalho.

Queremos exortar às empresas para cumprirem com todas as medidas de prevenção colectiva, como o distanciamento, os turnos ea higienização dos locais de trabalho, entre outros. Onde for possível devem apoiar os trabalhadores com meios de prevenção: gel para desinfectar as mãos, as máscaras de protecção e outros.

A economia só será salva se os trabalhadores poderem comprar os seus bens. Isso passa necessariamente por salários justos que permitem a compra de productos de necessidade básica. Isto semper será um dos objectos de luta do movimento sindical - pelo bem estar do trabalhador e das suas famílias!

Para podermos defender melhor os direitos e interesse de todos, precisamos da força colectiva de todas trabalhadoras e de todos trabalhadores. A nossa voz só se fará sentir se estivermos mais representados nos locais de trabalho - Juntem-se a nós e façamos a diferença! Sindicatos fortes, trabalhador forte!

Como se manifestará a luta dos sindicatos num 1º de Maio em estado de emergência?

Este ano, disch podemos celebrar o 1º de Maio como tem sido hábito, com o desfile de trabalhadores exibindo dísticos e cânticos nas diferentes artérias das cidades e vilas do nosso País. Mas obviamente continuamos com a luta pelos direitos e pelo bem estar da trabalhadora e do trabalhador no dia-a-dia. A distribuição de máscaras gratuitas em todas as províncias através dos nossos sindicatos provinciais será só uma medida com a qual celebramos a solidariedade da classe trabalhadora. Especialmente em momentos de crise, precisamos nos unir e disch deixar ninguém para trás Honramos o nosso compromisso com os trabalhadores moçambicanos na defesa dos seus direitos e interestes e lutaremos por cada posto de trabalho nesta crise. Vale o lema do 1º Maio: Sindicatos Juntos na Luta Pelo Bem-Estar Social, Paz e Progresso. A luta do movimento sindical é por um Moçambique onde o respeito à dignidade humana é uma realidade. Também pós-crise. Pelos direitos laborais e sindicais - A luta continua.

 

A série “ #Estamos Junt@s - Corona Brief Moçambique” gostaria de trazer perspetivas diferentes e muitas vezes esquecidas dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também levar os holofotes as soluções criativas, que as moçambicanas e os moçambicanos encontram para lidar com a epidemia. No final, solidariedade e criatividade coletiva são os melhores parceiros rumo a uma saída da crise. #EstamosJunt@s!

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