19.08.2020

#EstamosJunt@s: Que o “Novo Normal” Seja Definido pela Esperança e não Pelo Medo

Damião Simango, Secretário Internacional da Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM-CS) reflete sobre as mudanças necessárias no mundo de trabalho pós-pandemia e como os sindicatos tem de se reinventar.

O 1º de Maio em tempos de Covid 19 foi diferente. Menos marchas, menos canções, mais medo do futuro incerto e solidariedade apenas à distância. Um palavra dominava muitos discursos. O “novo normal”. Mas o que significa? Para entender melhor, tem que começar com o “velho normal”.

O “Velho Normal” do Mundo de Trabalho

O velho ou actual normal é dominado pelo neoliberalismo e capitalismo selvagem. Numa tentativa de convencer o mundo de que as políticas sociais que poderiam ter um impacto directo, visível e tangível em situações como as que nos encontramos hoje, não fazem parte do essencial da humanidade. Estão preocupados com o que chamam de desenvolvimento quando na verdade é simplesmente acumulação do capital, e, por conseguinte, menos preocupados por quem produz esse capital. 

Este actual normal aprofunda as diferenças socioeconómicas, faz os ricos cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. As políticas de desenvolvimento parecem as vezes um investimento para aumentar a pobreza. Há "falhas", por vezes na concepção, outras vezes na implementação das políticas públicas e sociais que deveriam melhorar as condições de vida dos trabalhadores.

O actual normal assim coloca várias dificuldades aos trabalhadores, desde o baixo nível de salários, a precariedade de emprego, o deficit de um verdadeiro diálogo social entre trabalhadores e empregadores com vista a tornar as relações de trabalho mais justas, é também caracterizado pela fraca cobertura e eficiência dos sistemas de protecção social.

Sindicatos Tem que Fazer Parte das Mudanças

A história do movimento sindical mostra que não se pode esperar que a boa vontade de quem deve resolver o faça. Onde não há luta, não há mudança. Desta forma, os sindicatos deverão tudo fazer para que os direitos dos trabalhadores incluíndo a sua voz sejam ouvidos e respeitados.

Guy Rider, o Director Geral da OIT, falando por ocasião do 1º de Maio do presente ano, alertou, que até agora tudo indica que o “novo normal” será ditado pelas restrições impostas, pela pandemia e não pelas nossas escolhas e preferências.

Nós, como movimento sindical precisamos de iniciar urgentemente debates e reflexões sobre como iremos levar avante as relações de trabalho no centro do novo normal. Nestas reflexões de olhar para o pós-pandemia, há que fazer de tudo para que esse novo normal seja melhor que o actual, mas mais do que isso, deverá ser um novo normal que não desloque a sua centralidade no ser humano e sua dignidade.

No novo normal, temos que enfrentar e reforçar a nossa luta contra as injustiças laborais numa perspectiva de defesa da legalidade laboral e justiça. Pensar o novo normal implica pensar tanto no sector formal como no informal, seria pensar numa alternativa ao neoliberalismo, um modo mais solidário de organizar a economia e que garante a sobrevivência de todas e todos. Assim o “novo normal” pode ir além de novas regras de higiene e segurança nos locais de trabalho, do teletrabalho e uma digitalização para uns poucos com condições, e exclusão para muitos mais sem esperança de um trabalho digno.

O movimento sindical tem que fazer parte da definição deste novo normal, levar o trabalho e os trabalhadores ao centro das atenções e assegurar que a esperança de uma sociedade melhor e não que o medo da pandemia e da crise económica definam o nosso futuro.

A série "#EstamosJunt@s- Corona Brief Moçambique" gostaria de trazer perspectivas diferentes e muitas vezes esquecidas dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também levar os holofotes as soluções criativas, que as moçambicanas e os moçambicanos encontram para lidar com a pandemia. No final, solidariedade e criatividade colectiva são os melhores parceiros rumo a uma saída da crise. #EstamosJunt@s.

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