03.09.2020

#EstamosJunt@s: Os Impactos da Covid-19 para os Trabalhadores- Caso de Moçambique e Angola

Rogério Marques Júnior, Director Executivo da Associação Cidadãos de Moçambique, compara os impactos da Covid 19 para os trabalhadores em Moçambique e Angola e chama por mais solidariedade.

  • Figura 1
  • Figura 2

Desde a eclosão do novo coronavírus, milhares de empresas fecharam suas portas e milhares de pessoas ficaram desempregadas. Devido às medidas de confinamento aplicadas em muitos países, os trabalhadores informais também não escaparam ao impacto da COVID-19. Enfim, ninguém ficou salvo. Todos nós sofremos, directa ou indiretamente com os impactos originados pelo Coronavírus. Contudo, olhando apenas para a classe dos trabalhadores, de que forma a COVID-19, no dia-a-dia, tem afectado este grupo? - esta é a preocupação de uma Fundação holandesa denominada Wage Indicator que, para entender isto, desenvolveu uma pesquisa online, em todo o mundo desde março de 2020 para conhecer como a COVID-19 tem afectado a vida e o emprego de milhares de pessoas. Os resultados desta pesquisa são actualizados diariamente e podem ser acedidos gratuitamente através dos seus mais de 140 portais em igual número de países. (Figura 1)

No caso Moçambicano, os dados desta pesquisa mostram que cerca de 10% dos trabalhadores perdeu o seu emprego na sequência da COVID-19 e, enquanto 33% dos trabalhadores passou a trabalhar a partir de casa para evitar a propagação do vírus, 52% ficaram completamente restringidos de realizar as suas tarefas laborais tendo sido, por isso, despedidos temporariamente. Igualmente, 2 em cada 10 trabalhadores em Moçambique teve a sua carga de trabalho reduzida e 4 em cada 10 trabalhadores, o volume de trabalho aumentou. Embora tenha aumentado o volume de trabalho, perto da metade dos trabalhadores [44%] passou a receber menos ordenado.

Diferentemente de Moçambique, em Angola a pesquisa da Fundação Wage Indicator, revela que apenas 8% dos trabalhadores perdeu o seu emprego. A forma e o local de trabalho mudaram para mais de 23% trabalhadores que, por causa do coronavírus, passaram a trabalhar a partir de casa, enquanto 58% ficaram impedidos de realizar o seu trabalho. O volume de trabalho reduziu para 4 em cada 10 trabalhadores, enquanto 2 em cada 10 teve a carga laboral aumentada. O aumento da carga de trabalho não se traduz no aumento do salário, pelo contrário, os dados mostram que 28% dos trabalhadores passaram a receber menos quando comparado ao período antes da COVID-19.

De forma geral, a percepção dos trabalhadores em relação a adopção das medidas de protecção face a COVID-19 em Moçambique e Angola não difere, isto é, 7 em cada 10 trabalhadores em ambos os países diz que o seu empregador aplicou medidas para evitar a propagação e infecção pelo coronavírus.

Neste tempo da pandemia do novo coronavírus, ter um animal de estimação em casa, por exemplo um cão, pode contribuir positivamente para o estado de espírito das pessoas, fortalecendo o seu ânimo. É assim como os dados da pesquisa sobre o impacto da COVID-19, em curso em todo o mundo, permitem concluir. Por exemplo, em Angola, o nível de depressão de pessoas com um animal de estimação em casa é de, em média, 1,5 e para aqueles que não tem, a média do nível de depressão é de 2,3. Já em Moçambique, os níveis de depressão, independentemente de ter ou não um animal de estimação em casa, mantem-se na media de 2.4. (Figura 2)

Visto que boa parte das pessoas tiveram que trabalhar a partir de casa, um novo desafio lhes foi adicionado - a Literária Tecnológica e o Acesso à Internet. Muita gente está a ter o seu primeiro contacto rotineiro com os meios tecnológicos nesta época da COVID-19. A única forma de sobreviver neste “novo normal” é adaptar-se e reinventar-se, pois quem optar em manter-se estático, corre um grande risco de ficar para trás e de ser excluído. Com uma taxa de penetração de internet a rondar nos 20% [ De acordo com a Internet World Stats ] tanto em Moçambique, quanto em Angola, há necessidade de adopção de outros mecanismos que permitam que os trabalhadores sem acesso à internet possam continuar a realizar as suas actividades laborais.

Os impactos da pandemia demandam mais solidariedade, sobretudo, para os trabalhadores mais vulneráveis. Por isso, apela-se que os Sindicatos, os Empregadores e Trabalhadores junto ao Governo discutam outros caminhos mais eficientes para garantir melhores condições de trabalho para os trabalhadores no contexto da COVID-19.

A série “#Estamos Junt@s - Corona Brief Moçambique”  gostaria de trazer perspectivas diferentes e muitas vezes esquecidas dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também levar os holofotes as soluções criativas, que as moçambicanas e os moçambicanos encotram para lidar com a pandemia. No final, solidariedade e criatividade colectiva são os melhores parceiros rumo a uma saída da crise. #EstamosJunt@s!

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