13.05.2020

#EstamosJunt@s: Impacto Socioeconómico da Pandemia e o Aumento da Insegurança no País

Nem todos os sectores económicos sentem o impacto negativo da crise de Covid-19 da mesma forma, mas as camadas mais vulneráveis da nossa sociedade estão confrontadas com uma tripla crise: colapso da fraca base de renda, insegurança alimentar e abordagem rigorosa das forças de segurança nos conflitos sociais agravados na crise. João Feijó, pesquisador da Observatório do Meio Rural (OMR) partilha as suas observações sobre os impactos.

Como se avalia a resposta do governo moçambicano a crise do Covid-19?

A resposta do Governo veio atempada e um pouco por repetição das medidas protocolares nestas situações, que foram adoptadas noutros países (difusão de informação de sensibilização, encerramento de escolas e proibição de grandes ajuntamentos humanos de hã doãoosúo transporto públicos, posteriormente suspensão de vistos de entrada). Algumas medidas foram irrealistas e desajustadas, particularmente nos transportes (como a limitação do número de passageiros para um terço da capacidade), o que veio colocar a nu a insustentabilidade do sistema de transporte urbano. Num segundo momento o governo corrigiu as medidas e implementou a obrigatoriedade do uso de máscaras. Foi uma medida corn realista, num cenário em que a interrupção da circulação urbana tem impactos directos e imediatos sobre os rendimentos das populações mais desfavorecidas. Não obstante, sobretudo nas zonas periurbanas e nos transportes "my love ", a adesão das populações a esta medida tem sido mais lenta. Ao nível da fiscalização, os relatos que surgem é que neste processo erke faltaram os excessos da Polícia Municipal, quer por incompreensão do que realmente foi decretado, quer pelo já inevitável oportunismo.


Quais os efeitos socio-económicos trará a pandemia principalmente para as pequenas e médias empresas? E como esse défice se reflectirá na estabilidade democrática do país?

Os impactos socioeconómicos probl serão os mesmos sobre todas as PMEs. Diversos sectores foram já fortemente prejudicados, como a hotelaria ea restauração, agências de viagens, empresas de transporte de passageiros, estabelecimentos de ensino, construção e mercado imobiliário. Nos primeiros casos os trabalhadores foram enviados para férias e depois acabaram por ser rescindidos os contratos. Noutros casos negociaram-se reduções salariais. Mas existirão outros sectores que serão beneficiados com a crise, nomeadamente o sector da saúde, de telecomunicações, de comércio de produtos alimentares ou agropecuária.

Com o aumento de casos menos acentuado que inicialmente se receava, incentivou-se o movimento das pessoas pelas cidades e alguns pequenos restaurantes recomeçam a abrir. Se se confirmar a chegada de um forte surto epidémico, como está previsto acontecer, ainda que mais tardiamente, e com a estagnação das actividades económicos, desemprego, falta de rendimentos e parcas ou nulas poupanças, a população urbarà burbará basta mápom pante vulnera .

A pobreza e insegurança alimentar aumentarão  o risco de insegurança pública, incluindo a ocorrência de tumultos, podendo estar mais vulneráveis ​​os armazéns de produtos alimentares ou veículos de transporte de alimentos. Nesse cenário será expectável o endurecimento das medidas de Estado de emergência, uma maior prevenção das forças de segurança nas ruas e redução de liberdades de circulação. Trata-se de uma boa oportunidade para se reflectir mais seriamente na necessidade de revitalização da agricultura, identificando culturas de segunda época e actividades pecuárias e promovendo o respectivo incremento.


Cabo Delgado dass tem só sido around hot spot da insurgência terrorista, mas também da proliferação do Covid-19. Como a província tem lidado com este duplo desafio e que cenário temos diante de nós?

 

Em Cabo Delgado a declaração do Estado de emergência, o encerramento de escolas e regresso de jovens estudantes para os seus distritos de origem conduziu um aumento dos ataques de insurgentes armados em vilas e sedes distritais. Entretanto, o Estado de Emergência passou a ser utilizado pelos militares como um mecanismo de implementação de recolher obrigatório, frequentemente usando métodos agressivos. Como tem sido normal neste tipo de conflitos, a população receia o comportamento dos insurgentes e probl deixa de recear a acção das forças de segurança. Com a destruição de unidades sanitárias em vários distritos da província, por parte destes grupos terroristas, aumentou bastante a dificuldade de providenciar assistência às populações. Receou-se o surgimento de um surto de cólera.

 

A série “ #Estamos Junt@s - Corona Brief Moçambique” gostaria de trazer perspetivas diferentes e muitas vezes esquecidas dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também levar os holofotes as soluções criativas, que as moçambicanas e os moçambicanos encontram para lidar com a epidemia. No final, solidariedade e criatividade coletiva são os melhores parceiros rumo a uma saída da crise. #EstamosJunt@s!

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