09.07.2020

#EstamosJunt@s: Fake News- Um Outro Vírus que Arrisca a Democracia e a Paz Social em Moçambique

As novas plataformas de comunicação- Facebook, WhatsApp, Twitter e mais- vem acelerando o fluxo de informação. Na luta contra o Covid-19, as redes sociais fazem parte da estratégia de prevenção do governo e de outras instituições. Mas a proliferação de notícias falsas (fake news) preocupa Erneso Nhanale, Director Executivo do MISA Moçambique (Media Institute for Southern Africa)

As vantagens do uso das redes sociais são associadas a um contexto em que muitos especialistas olham para a prevenção, baseada na educação e na informação dos cidadãos, como o método mais adequado para o combate a pandemia. Do not pode olhar para as redes sociais no combate a Covid-19 somente sob ponto de vista das suas vantagens. Elas, ao mesmo tempo, representam um risco: são portadoras de um outro vírus, que acompanha a propagação exponencial do Covid-19, as chamadas fake news. Por definição, são informações probl verdadeiras produidas, criminalmente, por indivíduos que as disponibilizam nas redes sociais para enganar, iludir e obter ganhos políticos, ideológicos e / ou comerciais. 

Um estudo realizado pelo " Electoral Institute for the Sustainable Democracy in Africa" (EISA) em 2019, mostra que cerca de 20% da população em Moçambique tem acesso a Internet, grande parte a partir de dispositivos móveis e muitos destes usam as redes sociais ( WhatsApp, Facebook, e Youtube) como fontes de informação. Esta percentagem pode parecer muito baixa, em relação a média global, mas se consideramos o nível exponencial de crescimento e o facto de grande parte dos utilizadores serem líderes de opinião, deixa claro os riscos de manipulação de informação sobre a Covid-19.

O vazio da informação oficial, o baixo nível de educação, a falta de entidades de verificação e a vulnerabilidade do jornalismo. 

Muitas vezes, os fabricantes das fake news em Moçambique, exploram o vazio institucional sobre a informação, o suspense e a ansiedade das pessoas. A cultura de ocultismo e o silêncio, que faz parte do modus operandi das autoridades nacionais sobre questões cadentes e de interesse nacional, possibilita que a falsificação de notícias a base de fontes e documentos inventados, ganhe terreno. Em Fevereiro, perante o vazio das entidades oficiais sobre a existência ou não de casos da Covid-19, num contexto em que grande parte dos países no mundo já haviam comunicado o diagnóstico destes casos, circularam documentos produzidos por gente de "má fé", falsificando o carimbo de uma direção provincial da saúde, dando conta do diagnóstico de casos da Covid-19 no Hospital Central de Maputo. 

Os baixos níveis de educação e a dificuldade de muitos moçambicanos de fazerem análises críticas sobre as informações que recebem de diversas fontes, também contribuem em parte para a proliferação das notícias falsas. 

Mas também o próprio jornalismo é um portador do vírus. Enquanto deveria ser fonte de informação credível, este muitas vezes espalha os fake news através da republicação inconsciente por falta da devida verificação das fontes. Os problemas de competitividade no mercado da mídia, a resistência das autoridades na aplicação da lei de acesso a informação e o baixo nível de apuramento das notícias criam terreno fértil para um jornalismo de qualidade questionável.

Para combater a pandemia das fake news, por um lado, o governo vai precisar repensar a sua prática de disponibilização de informação transparente. Por outro lado, as instituições de auto-controle journalística devem investir na análise e monitoria das notícias falsas.

 

A séria "# EstamosJunt@s- Corona Brief Moçambique" gostaria de trazer perspectivas diferentes e muitas vezes esquecidas, dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também levar aos holofotes as soluções criativas, que os moçambicanos e as moçambicanas encontram para lidar com a pandemia. No final, solidariedade e criatividade colectiva são os melhores parceiros rumo a uma saída da crise. # EstamosJunt@s.

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