18.06.2020

#EstamosJunt@s: A Estratégia da China para a África perante o Coronavírus

Artur Banga, Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Houphouët-Boigny em Abidjan, e Pesquisador ligado ao IRSEM (Instituto de Pesquisa Estratégica da Escola Militar de Paris) faz uma análise sobre o efeito da Covid-19 nas relações Sino-Africanas, e o que isso significa para um futuro pós-Covid.

O académico Marfinense Arthur Banga vê a questão do alívio da dívida como o verdadeiro teste do comportamento da China com o continente. 

Antes do Fórum China-África, realizado em Pequim em 2018, Cyril Ramaphosa tinha declarado que estamos a viver "uma nova Época de Ouro das relações Sino-Africanas". para nos converncermos desta afirmação, basta reparar que até à data quase todos os países Africanos reconhecem a China ao invés do Taiwan, ou ainda considerar os 208,7 bilhões de USD de intercâmbio comercial- o maior já registado entre a China e África em 2019. No entanto, o relacionamento Sino-Africano que tem vindo a progredir nos últimos anos, não parece ter ajudado a dissipar as perguntas e incertezas relacionadas com o surgimento do Coronavírus. Por meio do qual a necessidade de reflectir sobre os desafios e as mudanças enfrentadas pelo- cada vez mais privilegiado- relacionamento entre a China e África no contexto de uma crise sanitária global. Álem disso, quais são as alavancas para o relançamento da cooperação entre a China e África no período pós-crise?

Esta questão é particularmente relevante uma vez que a China, e mais precisamente Wuhan- uma das cidade mais "africanizadas" da China- é o berço do vírus. Esta não é uma questão trivial. De facto, se Pequim se gaba de ter contido a pandamia, este estatuto de "berço do vírus" tende a arruinar todos os esforços feitos para restabelecer a sua imagem em todo o mundo e principalmente em África. De facto, numa época em que as proezas tecnológicas e os sucessos do modelo chinês conseguem mais ou menos apagar a má imagem do "fabricado na China" no continente, o "vírus da China"- a expressão de Trump para evidenciar as rivalidades geopolíticas em relação a pandemia- e as controvérsias em relação ao número de mortes na China, como as relacionadas à pressão Chinesa sobre a Organização Mundial da Saúde (OMS), estão a reactivas as dúvidas. Estão a dar mais credibilidade aos críticos do eixo China-África.

Críticas sobre a relutância dos investidores chineses em respeitar os direitos dos trabalhadores, incluindo o défice comercial- que triplicou em 2019- e o endividamento da China, todas encontram um forte argumento na administração Chinesa da Covid-19. Este argumento é reforçado pela violência perpetrada contra os Africanos em várias cidades chinesas, com o argumento de que estes estimularam o surgimento de uma segunda onda. Houve tanta agitação no continente que os cônsules Africanos credenciados na China tiveram que reagir. Deste ponto de vista, pode-se afirmar que o tratamento da pandemia pela China afectou a simpatia concedida a este país- pelo Império Médio- em África, o forneceu munição aos seus oponentes.

Não obstante, a diplomacia chinesa ostenta várias ferramentas na sua mochila. Os seus principais especialistas já estão a trabalhar nas apostas geopolíticas desta crise sanitária global. Por conseguinte, a China está a moldar uma "diplomacia de saúde" completa em direcção ao continente, combinando o multilateralismo e o bilateralismo. Aumentou apressadamente as suas contribuições para a OMS na tentativa de compensar a retirada Americana, posicionando-se como um defensor do "multilateralismo da saúde". Além disso, aumentou a ajuda bilateral doando equipamentos (testes, roupas/equipamentos especializados, máscaras), enviando pessoal de saúde e partilhando a sua experiência. O bilionário chinês Jack Ma foi chamado a ajudar a fortalecer o "poder brando" chinês. Este compromisso permite que a China se esforce para manter a sua boa vontade em termos de cooperação com o continente.

Apesar dessa resposta, o Coronavírus expôs as debilidades da parelha Sino-Africano. Isto terá que ser tomado em consideração para um relacionamento mais justo após a crise. É preciso tomar medidas para equilibrar o défice comercial, fortalecer a transferência da tecnologia e outros aspectos científicos e culturais necessários para intensificar a cooperação. A questão pendente do cancelamento da dívida Africana- nomeadamente as consequências dos planos de resposta Africanos sobre os orçamentos nacionais, que conduzirão a enormes défices e uma política contraproducente de austeridade, caso essas dívidas não sejam reduzidas pelos credores do continente, incluindo a China, a maior detentora das dívidas Africanas- será um verdadeiro teste, um autêntico indicador do compromisso da China para com o continente e da capacidade dos Africanos de aproveitar ao máximo as suas relações externas.  

A série "# EstamosJunt @ s- Corona Brief Moçambique" gostaria de trazer perspectivas diferentes e muitas vezes esquecidas dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também levar aos holofotes as as queuas queus e cr moçambicanos problamam para lidar com a pandemia. No final, solidariedade e criatividade colectiva são os melhores parceiros rumo a uma saída da crise. # EstamosJunt @ s!

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