27.08.2020

#EstamosJunt@s: A Crise da COVID-19 e a Nova Economia Política Emergente em África

O Economista Sul-Africano Redge Nkosi descreve como a crise económica induzida pelo coronavírus fragmentou o modelo de desenvolvimento Africano.

Se a crise de 2007/8 foi um tiro de alerta à queima-roupa que abalou o modelo de desenvolvimento de décadas em África e mais além, a crise económica induida pelo coronavírus quebrou completamente as suas bases. África está num ponto de inflexão.

O referido ponto de inflexão not chegou em 2007/8 devido aos efeitos bastante moderados da crise em África. Com a excepção da África do Sul, os mercados financeiros subdesenvolvidos do continente ea sua fraca integração no Norte desenvolvido tiveram um efeito de amortecimento. Actualmente, os mercados financeiros Africanos são bastante diferentes.

Com fortes declarações dos líderes Europeus como “o antigo Consenso de Washington chegou ao fim” pelo então Primeiro-Ministro Britânico Gordon Brown, e que viramos uma página sobre “a descontracção do modelo Anglo-Saxão” pelo Presidente Francês do durante a re Nicolas Sarkão do durante G20 em 2009, África procurou participar do que prometia ser o surgimento de um impulso global coordenado em direcção a uma nova ordem económica mundial resiliente e equitativa.

Em vez disso, o que surgiu foi uma agenda excessivamente frágil desenvolvida pelo Banco Mundial, impulsionada pelo G20: “Maximizando as Finanças para o desenvolvimento”. Uma agenda para criar uma nova ordem financeira baseada no sistema bancário paralelo, a fim de financiar o desenvolvimento. O que esta ordem fez, e continua a fazer, é não só aumentar as já elevadas fragilidades económicas nos países em desenvolvimento, mas também privá-los do espaço político autónomo necessário para procurar estratégias de desenvolvimentoção. 

O ponto fundamental desta nova agenda é fazer com que os países em desenvolvimento adoptem uma série de reformas de políticas domésticas, que essencialmente desregulam os seus sectores financeiros, de modo a permitir que os bancos internacionais e as instituições bancárias ocultas dos países avançados estabeleçam mercados de titularização estabelecidos em torno de obrigações em moeda nacional e mercados de liquidez a curto prazo. 

Isto expôs suplementarmente os Africanos a ritmos dos ciclos financeiros globais dos quais eles não têm controlo, e não existem redes de segurança globais para proteger os países em desenvolvimento. Além disso, são estas actividades obscuras de mercados de recompra e derivativos que tanto os responsáveis ​​políticos como os académicos concordam terem estado por trás do evento sistémico global de Lehman Brothers de 2007/8.

Além das novas desregulamentações e outras reformas implícitas na nova ordem financeira, os países em desenvolvimento são obrigados a minimizar os riscos dos projectos por meio de subsídios e garantias, colocando assim uma pressão no espaço fiscal já limitado.

As recentes elevadas saídas de capital dos países em desenvolvimento, as moedas e economias em colapso, a dívida disparada, o aumento do desemprego e pobreza e a subsequente corrida desenfreada aos pedidos de ajuda ao FMI e ao Banco Mundial são algumas das consequências desastrosas ocasionadas pelo modelo de desenvolvimento do Consenso de Washington e pela actual Agenda impulsionada pelo G20 apelidada de "Consenso de Wall Street" para África. 

A pandemia do coronavírus simplesmente veio expor os perigos inerentes à ortodoxia actual e à necessidade urgente de recuar das correcções políticas projectadas no estrangeiro para África, argumentam uma série de comentadores altamente informados no continente.

Embora o custo global da crise da COVID-19 só venha a ser conhecido nos próximos meses, o prognóstico parece sombrio. Isto não só orientou as mentes dos decisores, como também motivou uma série de pensadores progressistas que procuram ver o fim do modelo de desenvolvimento que deu pouco provas do seu benefício.

Nos bastidores, os debates ao longo do continente estão a intensificar não apenas entre os académicos e os responsáveis ​​políticos individualmente, mas também em conjunto.

Na África do Sul, uma equipa de economistas publicou uma carta aberta solicitando ao Tesouro e ao Banco Central que eliminem urgentemente a agenda neoliberal que tem vindo a falir a economia há 26 anos, desde que Mandela chegou ao poder. Isto segue uma série de artigos técnicos publicados na imprensa que levantam dúvidas sobre a relevância da estrutura de desenvolvimento inspirada pelo FMI / Banco Mundial. Os debates no poderoso Congresso Nacional Africano estão inclinados para o descarte do actual modelo económico.

Além dos debates, a legislação na vizinha Botswana flexionou uma grande parte da economia apenas para os cidadãos. Tudo isto é seguido por uma carta aberta de intelectuais Africanos a pedir aos líderes do continente que façam uso da crise provocada pela pandemia do coronavírus para incentivar mudanças essenciais na direcção.

Enquanto o mundo assiste a crise a obrigar a Europa a rasgar o manual neoliberal e a rejeitar forças de mercado não mitigadas em direcção a um planeamento económico, estratégias industriais e medidas regulatórias semelhante às da China, a África está ocupada a integrar as suas respostas médicas, económicas, tecnológicas e relacionadas à crise e ao desenvolvimento em geral.

No Rwanda, o Presidente Kagame questionou por que é que África tem de obter empréstimos quando pode usar o seu banco central e os bancos públicos para emitir dinheiro para o desenvolvimento, tal como fez a Alemanha, o Leste Asiático e outros. Esta ideia orientou mentes na África do Sul e noutras partes da África Ocidental.

Enquanto os poucos que beneficiam da ordem actual falhada exercem influência desprocional sobre a política de desenvolvimento e não querem ver mudanças, o cavalo Africano parece ter fugido em direcção a um plano continental de mobilização de recursos financeiros mais mais resiliente, capaz de projectar um novo futuro de desenvolvimento equilibrado e sustentável.

Redge Nkosi é director executivo da Firstsource Money, uma organização de pesquisa e consultoria especializada no Sector Financeiro, Bancário e Macroeconómico, em Joanesburgo.

A série "# EstamosJunt @ s: Corona Brief Moçambique" gostaria de trazer perspectivas diferentes e muitas vezes esquecidas dos impactos da crise, chamar atenção aos desafios que devem ser abordados colectivamente, mas também os levar os holofotes as soluçças e cri moçambicanos suchenram para lidar com a pandemia. No final, solidariedade e criatividade colectiva são os melhores perceiros rumo a uma saída da crise. # EstamosJunt @ s.

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