08.03.2021

Colocando a Vida no Centro – Transformando o “Sistema” para que Respeite o Trabalho da Mulher

A pandemia Covid-19 não teve apenas impactos tremendos na maneira como vivemos, trabalhamos e interagimos como sociedade, mas nos trouxe também discursos novos. Estamos a praticar o “distanciamento social” para “achatar a curva”.

Um desses discursos é representativo de uma importante incoerência na nossa reflexão em torno da pandemia: a “relevância sistêmica dos trabalhadores da linha de frente”. Trabalhadores da linha de frente, são as enfermeiras, os professores, as pessoas que trabalham para entregar nossas compras online, que limpam casas e escritórios, que atendem no supermercado local. Em suma, as pessoas que mantêm o sistema a funcionar, enquanto nossa normalidade rompe nesta pandemia. Estas pessoas são, em sua grande maioria, mulheres da classe trabalhadora.

Enquanto a infraestrutura pública (sistemas de saúde, de educação, de segurança social) sofreu em muitas partes do mundo com a onda das políticas neoliberais e de austeridade nas últimas décadas, estes trabalhadores da  linha de frente são agora o último recurso na pandemia para fazer "o sistema" funcionar. Mas mesmo que suas contribuições sejam elogiadas em discursos políticos, isso não levou a uma valorização da contribuição e do papel do trabalho de cuidado em nossas sociedades. Também, não gerou salários dignos e condições de trabalho e vida dignas para os “trabalhadores da linha da frente”.

No contexto do projecto “ O Futuro é Feminista ”, engajamos como FES Moçambique nos últimos dois anos com académicas e activistas feministas de África, da Ásia, da América Latina e do Médio Oriente em condições de trabalho decente e um futuro digno para as trabalhadoras e os trabalhadores. O filme “ Colocando a Vida no Centro ” é um produto desse debate e faz uma pergunta fundamental: Por que mantemos um sistema em falha ao invés de transformá-lo de uma forma que, coloque a vida, a natureza e as pessoas de volta no centro?

A narrativa do filme foi construída com base nas experiências vividas pelo grupo e passa uma mensagem clara: Não será suficiente remediar o “sistema” e pedir um pequeno aumento salarial para os trabalhadores da linha de frente à luz de uma crise. Precisamos transformar as condições subjacentes à crise para recuperar a dignidade das mulheres (tanto como a dignidade humana) e desenvolver coletivamente um futuro mais sustentável e habitável.

# OFuturoéFeminista. Feliz dia internacional das mulheres!

 

 

 

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